sábado, 27 de fevereiro de 2016

crônica da semana - toque-toque

O toque-toque do meu coração
Às vezes penso que alguns sons vêm do além para nos intrigar. Um que não falta é o cocoricó do galo. Este é um barulho que me causa espécie. Ainda mais porque, em tempos modernos, não se limita a propagar-se na alta madrugada. Ocorre a qualquer hora. Na plena hora de meio-dia, ou na silenciosa madrugada, lá s’stá a cantoria vinda d’algum canto. E este é outro traço que requer atenção. Ninguém sabe de qual canto, vem o canto. É um cacarejo que domina o espaço. Um propagar isotrópico. Envolvente. Parece coisa do outro mundo. Difícil de explicar. A gente não tem notícia nadica de nada da existência de galo na redondeza, não conhece vizinho perto que crie ou zele por um. Mas a batida é certa. A hora que dá na veneta, o bicho vem e canta em alto e bom som, parecendo até que tá no pé do ouvido da gente.
Outro corriqueiro é o zincricri da maquita. Este é som que impera no fim de semana. Em qualquer parte do mundo. Seja um país rico ou uma nação pobre. Seja uma civilização tecnológica ou uma aldeia tradicional. Seja um território denso de gentes, ou um ermo salteado de casas simples. Em algum lugar, rente como pão quente, haverá sempre alguém cortando uma peça de azulejo numa manhã de sábado e espalhando o barulho contínuo e forte do motorzinho em (ziiiimmmmm) alta rotação.
Estes são barulhinhos nossos de cada dia. Socialmente reconhecíveis. Comuns. Sons que partilhamos e que nos identificam como agentes passivos e cúmplices urbanos. Formam o pacote de comentários certos nas rodadas de cerveja e no papo fácil de bar.
Agora, imagine um ponteado agudo e ritmado. Uma zoada igual à produzida por um guarda-chuva com envergadura robusta terminada em ponta metálica rija. Imagine que, numa calçada da vida, esperando um ônibus que nunca vem, como descarga para a ansiedade, a gente golpeie a calçada com a ponteira do guarda-chuva. Cria-se um ruído agudo, sistemático. Se a gente acrescentar um caráter misterioso, uma franca desconfiança e um medo discreto, este é o barulhinho que aqui em casa, vez por outra, a gente ouve, vindo do apê vizinho.

A única certeza é que não vem do piso. Vem da parede. Fosse o guarda-chuva, estaria apontado horizontalmente para a parede. E tão incisivo e perceptível, que parece ser no nosso apê. Mas não é. E não é forte não. Mas é cadenciado. Um toque-toque em sessões cuidadosamente organizadas. Uma rajada. Pausa. Outra. Pausa. Semelhante à cantiga do galo, acontece a qualquer tempo. Toque-toque-toque. Pausa... e assim por diante. Apesar do incômodo, nos perdemos, aqui em casa, em especulações sobre a razão deste pinicado na parede. Até manobras relacionadas ao manejo e despinte de drogas ou outros artigos ilegais, a gente já imaginou. Alguém esculpindo uma arte contemporânea. Uma patologia incontrolável de lascar o barro da parede para comer. Já pensamos em tudo para desvendar a realidade deste ruído. Dentre os cocoricós e zincricris, este toque-toque é o que mais estranheza causa aos nossos corações e mentes. Tenho pra mim que vem do além.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

crônica da semana - segundo tempo argel

Segundo tempo
Se, daqui pra mais tarde, eu responder algum e-mail aos meus leitores, é sinal de que sobrevivi. É que mais com pouco, vou participar de um jogo de futebol comemorativo dos 20 anos do meu menino Argel.
Tenho que cavucar bem cavucadinho na memória a última vez que joguei futebol. As lembranças recentes me levam aos primeiros dias na Vila dos Cabanos. Tínhamos uma turma animada para a bola. Após o curso de formação industrial, já além das onze da noite, ocupávamos o campo Sangue e Areia e nos batíamos até a alta madrugada sob os protestos dos vizinhos e da cachorrada, que à menor chance (como se para isso ensinada fosse), abocanhava e bandava a nossa bola. Dista dessa época a derradeira investida que fiz ao futebol jogado de vera. Embora nem corresse atrás, ficasse de flozô na banheira, e só quisesse bola no pé. Mas se a pelota me achasse, sabe, né, era caixa.
Depois disso, não mais encarei pelejas adultas disputadas. A retirada de parte do menisco, a barriguinha arqueando, e uma busca exasperante por ar a cada passada mais ligeira, são combinações relevantes que contribuíram para que eu me afastasse dos gramados.
Mas a paixão pelo futebol sempre me dominou e compensei minhas vontades fazendo pequenas participações nas brincadeiras de bola do meu filho. No início, ainda bebê, ficava me exibindo pra ele. Mostrando como fazer embaixadinha com os dois pés (50 sem cair), como matar a bola, domínio e direção de chute. Depois, na adolescência era ele que me levava pra completar o time com os meninos do top dele. Eu fazia umas firulas, dava umas carreiras, ganhava um hematoma, ficava na baba e pedia pra sair. Aconteceu uma vez, de uns moleques que passavam pela rua, nos desafiarem. Todos posudos, vindos dos arrabaldes, cheios de macetes. Formamos, eu e minha patotinha. Demos um baile. De quebra, dei lambreta, chapéu em adversário, chutei de trivela. Aguentei (só Deus sabe como) até o final da brincadeira e só vi, no final, os adversários saindo de fininho e resmungando que tinham perdido para um time que tinha um monte de molequinhos e um velho.
Com essa aventura vitoriosa, na memória, Argelzinho tem insistido para me ver em ação de novo. Quando fez quinze anos, articulou um time dos ‘amigos do papai’, mas tudo ficou só na intenção. Por urgências outras, os amigos do papai declinaram.
Agora, ao completar 20 anos, Argel volta à carga. E argumenta, confiante, que olha só, o aniversário cai num sábado. Dá pra todo mundo participar.
Pois é. Não basta ser pai. Pesquisei entre meus contemporâneos, aqueles que estão sem restrição médica, os que estão isentos de marca-passo ou stent e, ainda no último critério, aqueles que ainda correm de chuva. Sobramos eu e meu compadre Edir Gaya. Ele, que não é besta nem nada, vai de goleiro. Eu vou ter que me aviar numas carreiras na linha. Vamos garimpar mais três e formar nosso escrete de exibição. Daqui a pouco entro em quadra, para satisfazer o desejo do meu rapazinho. Concentração total, só esperando o trilar do apito. Se eu fizer contato mais tarde, é sinal que varei.


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O flagra -livro maio

Alguém apareceu no quintal (O flagra)
Naqueles tempos, havia apenas três telefones públicos no bairro. Um no Supermercado Carisma e outro no Pisco, localizados no eixo da Pedro Miranda e um outro, deslocado para as quebradas, no bar Pedra Noventa, que ficava na Lomas com a Marquês.
(Ela morava por ali, ao pegado do Pedra Noventa. Não tinha telefone em casa. E também, o telefone do bar prestava-se mais para coisas da dia-a-dia: acionar uma ambulância, deixar recado para amigos, matar saudade de parentes distantes. Para os reclamos da paixão, não servia não).
Além do telefone público, um ar de vanguarda também pairava sobre o Pedra Noventa. Algumas fichas caíam sobre os jovens que se juntavam por lá e sobre a petizada que orbitava as reuniõezinhas dos grandes. Nessa época conheci sons profanos como o do Creedence; alucinados, como os ponteados de Santana, e ainda uns bregas em francês que marcavam as contradanças nas sedes do Santa Cruz e do XV. Eu não me metia na parada dos grandes, mas ficava ao largo, orbitando...
(Um dia ela me chamou para ver alguma coisa no quintal. A casa era quase de esquina. Tinha uma fachada clara e um amplo ‘chagão’. Era por ali que a gente chegava, sem ser vistos, à sombra dos cajueiros. Ficamos por ali, falando coisas banais, catando sementinha do chão, fofocando temas do vulgo... Era um terreno úmido, um barro escuro e liso. Havia uma valetinha encostada da cerca, por onde escorria a água que vinha do jirau e ia dar num fundo cheio de capim. Um pé de café, um de caju, duas goiabeiras e umas quantas pimenteiras, completavam aquela paisagem agradável e perfumada).
Entre os grandes, que já tomavam uma coisinha mais forte e ouviam jazz, no balcão do bar Pedra Noventa, alguns já galgando degraus importantes na vida. Haroldo, calouro de Letras, com a cabeça raspada e a boina da Federal e Corôa, graduando e já versado em Engenharia Florestal na Escola de Agronomia do Pará. Galo, Torto, Pindoba, Nazaco, Pela-Pela, Deonde e Lourival, completavam a turma. Com destaque para Lourival que além de contumaz frequentador do balcão era um músico de primeiríssima e, apesar do joelho bichado, mandava prender e mandava soltar, como quarto beque, na zaga do Natal. Todos, de certa forma, eram meus ídolos. Não sei bem por quê. Talvez pela tez libertária com que recobriam suas vidas.
(Naquele dia, o bar Pedra Noventa estava movimentado...((continua no livro que vai ser lançado em Maio))

sábado, 13 de fevereiro de 2016

crônica da semana- platinoflor

Platinoflor
Seu Valdivino tinha uma taberninha sortida na vila e a especialidade da venda era o chope. Fazia um sucesso danado, não sei bem por que, já que o produto era um Q-suquinho básico, conhecido pela garotada pelo sabor forasteiro e pela alta concentração de açúcar.  Penso agora que a massiva aceitação fosse por um detalhe: O saquinho do chope era quadradinho, não era desses esticadinhos que grassam ainda hoje, e não era fechado em nó cego, também. As bordas eram soldadas a alta temperatura, numa maquininha que acho que só ele e mais uns poucos tinham em Belém.
Trabalhei na taberna, um tempo. E era parte ativa na produção. Não fazia o suco, mas enchia os saquinhos e operava a maquininha (que funcionava como uma guilhotina. A gente colocava a borda do saco sobre uma base, acionava com um pedal a placa de metal quente suspensa, e ela descia pressionando e colando as bandas. Depois, congelador).
No seu valdivino tinha de tudo. Estivas, secos, molhados, feijão, arroz, anil, ovos, sabão em barra. Era bem abastecida a taberninha. Só não era na pista, e não tinha lâmina de barbear, mas era caminho mais curto da vizinhança para as precisões urgentes.
As instalações eram em madeira pesada e viscosa, parece que untadas por um filme diário de vapores. E tudo muito apertadinho. Estas condições comprimidas privilegiavam o aprisionamento dos cheiros mais fortes. A lembrança do fumo de picar me é, até hoje, muito íntima. Mas também, a farta venda de uma peça de tabaco e um caderno de abade era uma tarefa que competia ali, ali, com a saída dos chopes.
Quando fui trabalhar com seu Valdivino, foi como se eu tivesse recebido um certificado de menino bom. É que para estar de par com ele, haveria o ajudante, de ser da maior confiança, pelo fato de seu Valdivino já estar numa idade avançada e... Ser cego.
Eu achava impressionante aquela percepção do meu patrão. Ele controlava e se certificava dos valores das notas. Conhecia cada cédula pelo tato. Não havia uma pesada que eu fizesse na balança ou uma medida de óleo que eu entornasse na cumbuca do freguês, que ele não atinasse, não desse um pitaco. De tudo em quanto, ele dava definição. Os filhos, de vez em quando auditavam a rotina da venda, mas quem controlava tudo mesmo era ele, o seu Valdivino.
Na venda tinha de um tudo. Só não tinha lâmina de barbear. Uma vez por semana ele me mandava lá na pista comprar uma caixa de lâminas. Recomendava com intensa gravidade: “Platinoflor. Não vai me trazer outra. Só serve  Platinoflor”.
Obediente, eu chegava lá no armarinho da Pedro Miranda e pedia que me aviassem um pacotinho de giletes ‘Platino plus’, numa corruptela da marca que tinha o termo ‘platina’, originalmente grafado em latim.
Mas, versão não tão corrompida quanto a empregada pelo seu Valdivino.
Fosse pela flor, pela platina, pelo plus ou pela corruptela, seu Valdivino no dia seguinte estava barbeado, quando eu chegava. E pronto, prontinho para perceber os movimentos, as medidas, o despencar da guilhotina quente fechando os saquinhos de chope...


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

crônica remix- o primogênito

O PRIMOGÊNITO

Estávamos a quinze dias, segundo as previsões do médico, para o nascimento do nosso primeiro filho. Terça de carnaval. Os passistas e as mulatas ainda desenhavam os seus passos elegantes pela avenida. O sol anunciava um belo dia de samba, suor e cerveja...na Bahia. E aquele líquido insistia em apresentar-se discretamente. Não vinha porém, acompanhado de tal dor. Não sabíamos naquele momento, que os primeiros minutos da Terça eram minutos vitais para o nosso bebê.
A mãe na sala de cirurgia, ou como se dizia antes, na pedra  Eu esperando, parado, pensando sobre o mundo, sobre a vida,. Sobre as questões éticas, morais. Sobre as primeiras impressões do bebê diante de um mundo inebriado pelo poder do capital, pelas estruturas seculares vis... pela tecnologia que lhe traz à luz. Lá em cima, cinco, seis médicos. Eu ainda acrescentaria um psicólogo e um sociólogo. O bebê precisa de assessoria nessas questões prementes da nossa realidade. O mundo aqui fora é muito sério e o bebê precisa saber da genética, da estética e das artes.
Estava divagando ainda, quando a enfermeira perguntou:  “Já trouxe as roupas do bebê”? acordei da minha viagem. As roupas, claro. O bebê precisa de roupas; mamadeira; carrinho; uma literatura para dormir, talvez uma coisa do Gabeira; ou aquele artigo “O homem total do nascimento à plenitude etária, numa visão socialista do sucesso pessoal”, de Andrei Sukov; as roupas.
Quando o bebê chega, tudo já está providenciado. Nesta fase o bebê só precisa de algumas peças de roupa para aquecê-lo e do leite materno para alimentá-lo. E só. Sou um coadjuvante nesta história mas faço a minha parte. Troco fraldas, lavo isso, levo aquilo, trago aquilo’outro. A minha vontade era estar para tratar outros assuntos com o bebê. Aquelas questões...a sociedade de consumo...o existencialismo sartreano, mas nem inicio a conversa e o bebê chora. Quer mamar.
O bebê faz xixi. O bebê chora. Enfermeira socorro! O bebê faz cocô( e viva a sociedade de consumo que criou a fralda descartável) . O bebê espirra. Enfermeira ,me acuda! Oh  meu Deus, porque eles não vêm com um manual de instrução?!
Mais tarde a cavalaria americana aparece salvando a tudo e a todos. São os parentes e amigos. Ajudam a mãe que não pode se mexer. Levantam, amparam...O efeito da anestesia (milionária por sinal. Pelo preço o efeito deveria passar só no ano de 2550) passa e a mãe sofre um tanto. Num momento de alívio a mãe relata a aventura e deixa escapar:
_ Foi uma barra, gente. O bebê tava  passando da hora de nascer, o médico foi bem prestativo e rápido. Mas como dói! Não quero passar uma situação dessa outra vez.
Todos deixam escapar: o pai depois de ficar sabendo por uma japonesinha espevitada, o preço cobrado pelo anestesista:

_ Nem eu.
A  mãe da mãe que deixou tanta coisa por fazer, além do feijão no fogo, e que integra a comissão “levantar, amparar e levar a mãe ao banheiro”:
_Nem eu.
A melhor amiga que adiou compromissos importantíssimos, mas vale a pena porque sei lá, a gente se sente tão assim, e que é da mesma comissão:
- Nem eu.
A comadre que deixou a filha pequena em algum lugar conhecido da casa ( porque existem os desconhecidos) com não sei quem e que integra a comissão externa( compras de algodão, fraldas, chazinhos para o pai):
- Nem eu:
O compadre, que é pai de quatro, e discutia com o pai sobre a possibilidade de uma revolução do chadão, país do extremo asiático, e que não tem comissão definida:
- Nem eu:
A mãe do pai que não para de chorar de emoção desde que chegou, e que é da comissão de paparicos ao bebê.
- Nem eu:
No dia seguinte o inevitável: a alta.
- Vocês já podem ir.
- Como podem ir? Quem vai dar banho do bebê? E quando ele tossir ou espirrar? E quando não quiser dormir?
Sugeri ao médico que me emprestasse a enfermeira por uns oito anos, até que a gente aprendesse essas coisas. Em vão. Horas depois estávamos arrumados. Não satisfeito ainda, fui até a pediatria e dei um ultimato:

- Tudo bem, eu vou. Mas só saio daqui com o certificado de garantia.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

crônica da semana - Barros Barreto

Pés de eucalipto
Antigamente as pessoas que sofriam dos males do pulmão eram internadas e passavam meses isoladas, em tratamento no Barros Barreto. Uma pessoa enfraquecida (ou esfraquecida, como rezava o vulgo), era assim que conhecíamos o doente do pulmão, era confinada, submetida a antibióticos, a regras singularmente austeras de comportamento.
As visitas eram poucas. Naqueles tempos, cheguei a ir ao hospital visitar um parente, mas não entrei. O controle não permitia o ingresso de crianças. Mas valeu pelo primeiro contato que tive com os pés de Eucalipto.
“O eucalipto é uma planta medicinal bastante utilizada no combate de diversas doenças respiratórias.... “
Anos mais tarde, lá s’stava eu coletando as folhas de eucalipto novamente, para ajudar no tratamento da minha mãe, não mais em sistema de clausura, mas da mesma forma, rigoroso. A árvore pode valer para madeireiros, uns tantos tostões se manejada para as serrarias, mas para mim, vale como provedora, cuidadora da vida. É um emblema verde e aromático de um hospital que se entrega ao desafio de recuperar fôlegos.
Neste quarto centenário de Belém, muito se falou de triste sobre nossa cidade. Desesperanças foram relatadas como a única certeza que temos. Percebi traços de negação, de vergonha e constrangimentos causados pela realidade que nossa cidade exibe.
Não me conformei com tanto desânimo e saí catando ao meu redor pontos positivos de Belém. Motivos de orgulho. Dei com os pés de eucalipto.
As árvores emolduram um centro de pesquisa e de tratamento dos mais conceituados do Brasil, o Hospital Universitário João de Barros Barreto. Fundado há 46 anos, inicialmente o hospital era direcionado a atender os ‘enfraquecidos’ de tuberculose. Há alguns anos, ampliou as áreas de atuação e hoje, além de ater-se às missões do ensino e da extensão, desenvolve tratamentos de várias patologias, incluindo aí as do ramo epidemiológico e doenças infecciosas.

É um hospital público. E a saúde pública, a gente sabe, quando se vai descer o pau nos serviços prestados ao povo, é a pri a ser esculhambada. A falta de leitos, de material para atendimento, de médicos, máquinas e instrumental são reclamações cotidianas da população. O Barros Barreto não está isento de críticas. Tem os problemas que um sistema falho lhe impõe. Mas para quem, assustado com os eventos de hemoptise, derramou lágrimas por aqueles corredores, rogando por um milagre e encontrou ali, alento, esperança e umas imprescindíveis pedrinhas de gelo, vindas não sei donde, para estancar o sangue; Para quem acompanhou um ente querido e encontrou empenho, dedicação e uma ponta preciosa de sensibildade na relação médico-paciente-acompanhante. Para quem percebeu suadas atitudes intentadas às últimas instâncias na tentativa de abrandar sofrimentos, o Barros Barreto é um lugar muito digno, atacado severamente pelos males do sistema, mas cercado de verdes e perfumados pés de eucalipto que no fim, nos termos, e no aroma me trazem lembranças de mãe... e de lutas diárias pela vida.